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Prefácio Explorando a Cultura Rural do Chá Através de uma Perspectiva Juvenil A fim de encorajar os estudantes a participar nas actividades da Casa da Cultura do Chá e de promover a interacção com a comunidade, a Casa da Cultura do Chá do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e a Associação para a Educação Histórica promovem em conjunto um Curso de Formação para Alunos de Investigação Museológica, entre Agosto e de 2006 e Julho de 2007. Este curso constitui uma actividade de educação cultural e de história rural de grande escala. Foram seleccionados cerca de 300 candidaturas de estudantes universitários e secundários, tendo sido escolhidos 40 candidatos para participar numa série de cursos teóricos e práticos; aqueles que obtiverem aproveitamento nos cursos atribuídos receberão o título de Investigador Museológico. Segundo o acordo firmado entre a Casa de Cultura do Chá do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e a Associação de Educação Histórica, os 40 candidatos seleccionados foram divididos em mais de dez grupos. Nos últimos três meses serviram-se de uma série de fontes de investigação comunitárias tais como bibliotecas, arquivos, museus e a própria Casa da Cultura do Chá, para melhor se inteirarem sobre “Macau e o Chá.” Desde a antiguidade que os chineses têm um ditado que diz que “milhares de pessoas podem aprender com a cultura rural”, pelo qual é notório que a cultura rural constitui a fundação tradicional da educação chinesa. No campo, uma folha, uma árvore, uma pessoa ou uma coisa pode tocar-nos o coração. Isto é natural e é a razão principal pela qual a cultura rural serviu de base para a educação chinesa. Macau, cadinho das culturas oriental e ocidental, possui uma herança histórica e cultural única que impregna a cidade com características distintivas que não se podem encontrar noutras partes da China. Macau tem uma afinidade muito grande com o “chá” visto que foi em tempos um importante porto de exportação do comércio do chá. À medida que o tempo passa inexoravelmente, a afeição persiste e o que sobreviveu nesta pequena cidade são, para além dos sentimentos das gerações mais velhas, um número de itens do passado relacionados com o chá, tais como casas de chá, lojas de chá, clubes de chá, salões de chá, tendas de chá, fornecedores de chá, apreciadores de chá e convenções sobre chá. Todos estes itens constituem uma base muito apropriada para a educação histórica e cultural dos adolescentes em Macau. Podia-se esperar que estes itens da cultura do chá do passado tivessem desaparecido com a rápida modernização de Macau, mas devido aos esforços deste 40 estudantes, algumas memórias esbatidas foram preservadas através das suas canetas, dos seus olhos e corações. Na sequência da consulta de registos documentais e entrevistas nos últimos três meses, foram claramente atingidos alguns objectivos. Com a sinceridade própria da adolescência, estes estudantes puseram a nu uma “memória do chá” há muito desviada. Vamos explorar a antiga cultura do chá de Macau de uma forma profunda e descobrir o “sentimento rural pelo chá”! Casas de Chá Casa de Chá Luk Kwok A Casa de Chá Luk Kwok, com três andares, foi fundada originalmente em 1913 e localiza-se na intersecção da Avenida Almeida Ribeiro e da Rua Cinco de Outubro, pela qual se tem acesso. Cada andar sucessivo apresentava uma área maior que o inferior. As paredes exteriores do edifício eram pintadas de verde, enquanto que o telhado de empena chinês e as janelas quadradas com esculturas ocidentais e a varanda apresentam um aspecto arquitectónico único que combina Oriente e Ocidente. No rés-do-chão, o edifício não apresenta janelas. O hall de entrada, com ventoinhas no tecto, possuía mesas e cadeiras ao centro, com cabinas de ambos os lados. No andar seguinte, todos os lugares foram concebidos como cabinas, podendo ver-se na parede oposta à entrada um letreiro com o nome “Restaurante Luk Kwok”. No último andar havia várias mesas, com ventoinhas de tecto e espelhos nas paredes. Existiam também esculturas de madeira decorativas que ladeavam os pilares das paredes, que causavam uma sensação de esplendor. A Casa de Chá Luk Kwok – anteriormente denominada Casa de Chá Tak Sum – entrou em funcionamento oficialmente em 1938 e era uma das mais famosas casas de chá cantonenses tradicionais em Macau. A Casa de Chá Luk Kwok localizava-se muito perto do Porto Interior, sendo a maioria dos seus clientes residentes e trabalhadores na vizinhança, ou passageiros de barcos. Alguns antigos governadores de Macau estavam também atraídos pela sua reputação. Quando o Porto Interior floresceu, muitos passageiros de barcos visitavam a Casa de Chá Luk Kwok para uma pausa curta em lugar de irem para estalagens ou hotéis. Quando o Porto Exterior entrou em funcionamento, contudo, o número de passageiros de barcos que frequentavam a Casa de Chá diminuiu drasticamente, tendo esta acabado por fechar as portas em 1990. A parte interior do edifício ruiu visto não ter sido alvo de restauro, tendo sido invadido por plantas e ervas. A em tempos movimentada Casa de Chá Luk Kwok ergue-se agora silenciosamente num canto da cidade, observando, talvez lastimavelmente, as mudanças radicais que ocorrem em Macau. Na mente dos antigos clientes, a Casa de Chá Luk Kwok era lugar de inúmeros dim sum e especialidades e o seu chá, famoso pela sua fragrância e sabor adocicado, era tão bom que as pessoas ainda hoje se deliciam a falar dele. A maior parte das folhas de chá provinham das lojas de chá Ieng Kei em Hong Kong e Macau; o sabor adocicado do chá devia-se à água utilizada, que provinha da refrescante fonte situada no monte Long Tou, perto da entrada do Jardim da Flora. O acto de provar o chá e de conviver com os amigos na Casa de Chá Luk Kwok encontra-se ainda registado na memórias dos apreciadores de chá das gerações mais velhas. Casa de Chá Koon Nam A Casa de Chá Koon Nam, localizada no n.º 126 da Rua Cinco de Outubro, foi fundada em 1953. A sua predecessora foi o Salão de Chá Kam Long, cujo proprietário exclusivo era o Sr. Liao Bak. Sofrendo um grande prejuízo, Liao transferiu os direitos sobre a casa de chá para o Sr. Lei In Sek, que tomou conta do negócio. A Casa de Chá Koon Nam foi gerida por dois grupos de Hong Kong – os grupos Koon Hoi e Tak Nam – que deram origem ao seu nome. A Casa de Chá Koon Nam funcionou ao longo de mais de duas gerações mas encerrou em 1996 devido ao rápido aumento dos preços da propriedade em Macau. Entristecido pelo encerramento, o Sr. Chan Weng Lam contratou mais de 30 dos empregados originais da casa de chá e abriu o restaurante Koon Nam Him, localizado presentemente na Avenida do Almirante Lacerda. A arquitectura da Casa de Chá Kun Lam é muito similar à adjacente Casa de Chá Dai Long Fong. O edifício tem quatro andares, sendo que os três inferiores eram usados para o negócio enquanto o superior servia de dormitório aos empregados, para além de oficina. O dono era meticuloso quanto aos utensílios usados na casa de chá: em cada mesa havia um fogão de barro vermelho colocado sobre um pequeno estrado em cima do qual estava um bule de latão, para além de um escarrador ao lado de cada assento. Antes da casa de chá abrir diariamente, o pessoal fervia água usando uma grande caldeira, colocando os recipientes para cozinhar o dim sum no seu interior. Logo que a água e o dim sum estavam prontos, eram servidos aos clientes. Os chás mais comuns naquela época incluíam os chás “Oolong”, “Shoumei” e “Puer”, enquanto que o pãozinho de porco assado (Cha Siu Pao) era um dos pratos mais populares servidos. Esta casa de chá oferecia ainda outras especialidades muito apreciadas como ovos salgados, dumplings de galinha, dumplings de peixe e de carne. No início do seu funcionamento, servia ainda pastéis tradicionais. Os festivais e ocasiões importantes eram motivo para a preparação de ricas especialidades tradicionais diversas, como Bolos da Lua por ocasião do Festival do Bolo Lunar, pudins por ocasião do Ano Novo Chinês e Bolos do Dragão e da Fénix para celebrar casamentos chineses. Casa de Chá Lung Wa A Casa de Chá Lung Wa, localizada num edifício de três andares na Av. Almirante Lacerda, perto do Mercado Vermelho, foi fundada em 1963. Quando o Sr. Ho Fong se mudou de Hong Kong para Macau, descobriu que não existia nenhuma casa de chá cantonense no distrito ao norte de Macau e, assim, fundou a Casa de Chá Lung Wa. O seu modo de operação era bastante similar ao da Casa de Chá Lin Heung em Hong Kong. Actualmente, o estabelecimento é gerido pelo Sr. Ho Ming Dak, filho de Ho Fong. Ao entrar na Casa de Chá Lung Wa, os clientes têm que subir ao segundo andar, onde se situa a zona principal para consumo de chá e refeições. Em ambos os lados das íngremes escadas, podem-se ver-se fotografias. O terceiro andar da casa serve de cozinha. Na parede exterior do edifício, de cor amarela, podem ver-se os quatro grandes caracteres ‘Lung Wa Cha Lau’ – Cha Lau significa casa de chá em cantonense – pintados em vermelho. No segundo andar podem ver-se em funcionamento ventoinhas clássicas chinesas nos tectos e, ao lado das janelas com molduras verdes, encontra-se uma fila de cabinas. Existia originalmente um escarrador junto a cada assento mas, por razões de higiene, estes foram retirados. Junto às cabinas situa-se uma varanda onde se podem ver vários potes e ornamentos que despertam uma sensação de ócio e de relaxamento. A Casa de Chá Lung Wa é muito diferente das restantes casas de chá: um carrinho de dim sum encontra-se estacionado junto às escadas e os clientes têm que se deslocar até ao carrinho para escolher o que desejam antes de regressarem aos seus lugares. Pratos populares de dim sum tais como Siu Mai (dumpling cozido a vapor com porco e camarão) estão disponíveis, mas o ponto forte é o seu método tradicional de cozinha. Contudo, hoje em dia a casa de chá não serve dumplings de camarão visto que o cozinheiro que os fazia se reformou e não transmitiu a sua técnica de fabrico. No passado, a casa de chá encontrava-se a funcionar entre as 5:00 e as 16:00 horas. Hoje em dia, está em funcionamento apenas entre as 7:00 e as 14:00 horas. A maior parte das pessoas que frequentam a casa de chá são velhos clientes de há décadas. É também frequentada por antigos clientes que agora vivem no estrangeiro quando estes visitam Macau anualmente, assim como por famílias. Nos primeiros tempos, a casa de chá produzia também Bolos da Lua e Bolos de Casamento Chineses, podendo os clientes realizar festas no estabelecimento. A Casa de Chá Lung Wa é uma das casas de chá tradicionais que subsistem em Macau e actualmente tornou-se mesmo uma plataforma de intercâmbio cultural. O seu proprietário inculcou elementos culturais no seu negócio, realizando, de tempos a tempos, exposições de pintura e fotografia sobre diferentes temas que decoram as suas paredes. Em resultado, a Casa de Chá Lung Wa tornou-se um modelo para as indústrias culturais em Macau. Lojas de Chá Loja de Chá Ieng Kei A Loja de Chá Ieng Kei, com três andares, situada na Rua Cinco de Outubro, foi fundada em 1930. É a única loja de chá tradicional ainda existente em Macau. Estabelecida há mais de 75 anos, a Loja de Chá Ieng Kei vende somente chá chinês. Subsistiu a todas as sublevações enquanto outras lojas de chá da mesma época, como é o caso das lojas Cheung Chen e Cheng Lan, foram sendo encerradas sucessivamente. O estabelecimento predecessor da Loja Ieng Kei foi a Loja de Chá Bo Chun. Após o seu encerramento, um grupo de cinco pessoas julgou que a localização do estabelecimento era favorável ao negócio devido ao grande fluxo de pessoas que ali passava. Angariaram entre elas 2,500 patacas, montante suficiente naquela época para lançar o negócio. Como um dos investidores era dono de uma pastelaria denominada “Ieng Kei”, a loja de chá foi assim denominada. Actualmente, o principal empresário da Loja de Chá Ieng Kei é o Sr. Lo Cheung Hung, cujo primo mais velho, o Sr. Lo Tou, é um dos cinco “accionistas” da loja. Escapando à guerra em 1939, o Sr. Lo Cheung Hung, na altura com 10 anos de idade, veio de Shunde para Macau procurar a ajuda do seu primo. Naquela altura, muitas lojas de chá em Macau negociavam também em tabaco e pastelaria. Havia muito poucas lojas de chá que vendessem apenas a folha do chá, e destas, a Ieng Kei era a maior. Naquela época, era popular beber chá em Macau e muitas pessoas que apreciavam a bebida compravam as folhas do chá elas mesmas. Contudo, a maior fonte de rendimento da Loja de Chá Ieng Kei não era proveniente das vendas a retalho mas dos negócios por grosso com grandes casas e lojas de chá. A loja tinha um bom rendimento, que ultrapassava as 100 patacas diárias. Hoje em dia, os clientes da Loja de Chá Ieng Kei são principalmente provenientes dos velhos bairros da cidade. Um número considerável de antigos clientes que cresceram com esta loja ainda a frequentam. Para além disso, os velhos clientes que se mudaram para o estrangeiro ou para Hong Kong ainda aí compram chá durante as suas visitas a Macau. A fim de satisfazer as necessidades dos clientes, a loja diversificou os seus produtos; para além de folhas de chá, vende ainda bules e utensílios para o culto do chá. Ambos o Sr. Lou e a sua nora se sentem optimistas sobre o futuro da loja porque acreditam que com um número crescente de pessoas a beber chá em Macau, os hábitos antigos reafirmar-se-ão e o negócio da Ieng Kei vai certamente prosperar. Loja de Chá Ton Heng
A Loja de Chá é um novo estilo de estabelecimento de chá especial em Macau. A intenção de abrir esta loja não é apenas a de vender chá e fazer dinheiro. O proprietário da loja, o Sr. Cheang Shu Mao, de Chaozhou, desenvolveu a paixão pelo chá desde a juventude e sempre ambicionou abrir uma loja de venda deste produto quando fosse mais velho. Através da loja pode “encontrar e fazer amigos através do chá”. Para além disso, pode ajudar a promover a cultura do chá. A Loja de Chá Ton Heng, de estilo inovador, difere da tradicional Loja de Chá Ieng Kei, ao dar ênfase à promoção da cultura do chá. Para além de vender chá, o proprietário estabeleceu, numa loja contígua, um estabelecimento de venda de alimentos orgânicos denominado Tung Choi Fong. Este estabelecimento proporciona também uma plataforma para os apreciadores de chá se encontrarem e trocarem impressões sobre a cultura deste produto. A Loja de Chá Ton Heng foi fundada primeiramente apenas por duas pessoas, o Sr. Cheang e um parente seu, que agora gerem a loja. Em operação há cerca de seis anos, a loja estabeleceu um negócio estável, adquirindo uma clientela leal. O sucesso desta loja não se deve apenas ao preço razoável e à excelente qualidade do chá que vende mas também à persistência do Sr. Cheang e ao seu amor pelo chá. Este tenta assegurar a elevada qualidade de todos os tipos de folhas de chá que vende, nunca vendendo folhas que não conhece bem. No dia da entrevista, o Sr. Cheang confidenciou que desejava abastecer a sua loja com folhas de chá provenientes de Taiwan. Contudo, visto não ser grande conhecedor dos chás produzidos em Taiwan, planeia deslocar-se a este território para estudar os chás locais. Esta não será a primeira vez que o Sr. Cheang decide viajar para outras regiões para “investigar” o chá. Visita frequentemente a China Continental e Hong Kong para promover a indústria e a cultura do chá. Tisanas As tisanas são amplamente reconhecidas como integrantes da medicina popular e as ervanárias fazem parte da vida da população de Macau. As ervanárias passaram de locais de distracção indispensáveis ao público a modernos locais de consumo. Não foram substituídas pela marcha do tempo, mas antes meramente adaptaram-se. Devido a uma economia pobre e a cuidados médicos insuficientes, as pessoas doentes em Macau não iam ao médico mas antes visitavam ervanárias para consumirem uma ou duas taças de tisanas ou para comparem algumas ervas para ferver em casa. As tisanas tornaram-se, nessa época, no único serviço médico de baixo custo para a comunidade, estando as tisanas mais baratas disponíveis ao preço de apenas um avo por taça. Mais tarde, a ervanária tornou-se num local de encontro. A Ervanária Hsin Kei, situada contiguamente ao Teatro Qiang Ping nos anos 60 do século XX, por exemplo, fornecia rádios, jornais e revistas para benefício dos seus clientes. As ervanárias tornaram-se um íman para pessoas de diferentes idades e classes. Quando a economia começou a recuperar no final dos anos 60, as pessoas ansiavam pela ocidentalização e pela modernização. As tradicionais ervanárias começaram a perder o seu “cachet”, com os anos 80 a testemunhar o declínio da indústria das tisanas. À medida que os anos 90 chegaram ao fim, novas ervanárias começaram a surgir com produtos, embalagens, instalações e métodos promocionais completamente diferentes dos convencionais. Macau é um cadinho das culturas oriental e ocidental. Talvez a sua intenção ao ir a uma ervanária seja a de simplesmente desfrutar de uma chávena de chá de ervas ou a de conversar com amigos. Contudo, o que bebeu não é simplesmente uma chávena de chá de ervas; não é apenas um refresco. Quando a está a beber, está na realidade a provar e a apreciar toda a extensão da cultura chinesa. Ervanária Tai Sing Kung A Ervanária Tai Sing Kung na Rua da Palha é a ervanária mais antiga e conceituada em Macau. O Sr. Wu, a quem as pessoas chamavam “Tai Sing Kung” (literalmente, altifalante), abriu a sua primeira ervanária durante a dinastia Qing. A loja possui uma história de mais de 200 anos. A primeira Ervanária Tai Sing Kung localizava-se na intersecção da Rua San Kio e da Rua da Barca; vendia não apenas tisanas mas também produtos de medicina tradicional chinesa. A segunda loja, que vendia principalmente produtos de medicina tradicional chinesa, abriu junto ao Hospital Kiang Wu. A loja actual é a terceira Ervanária Tai Sing Kung, situada na Rua da Palha. Desde “Wai Gan Cha” e “água de cana de açúcar” a “Chá de Crisântemo” e “Chá de 24 sabores”, tudo é gerido pelo quase octogenário Sr. Ng Kiang Fat há quase meio século, o qual pertence à terceira geração dos donos da ervanária Tai Sing Kung. Durante todos estes anos, tem servido o público e participado em actividades de caridade. A medicina herbária chinesa teve origem nas regiões de Zhuhai, Sanzao, Hengqin e Quangzhou. Quando os aldeãos estavam livres das suas tarefas quotidianas, subiam às montanhas para colher ervas medicinais, que eram depois transportadas para Macau por carro ou barco. O Sr. Ng vai às vezes à procura de ervas medicinais para a Colina da Fortaleza em Macau e viaja também para Zhongshan para comprar ervas a fim de assegurar a sua qualidade. Antes de colocar as ervas num cesto de rota, estas são lavadas, separadas e embaladas. O Sr. Ng tem os seus próprios segredos na preparação de chás de ervas; primeiro, as ervas frescas devem ser conservadas durante um ano antes de se usarem, a fim de as libertar do seu odor “desagradável”. Em segundo lugar, as ervas devem ser fervidas durante pelo menos um dia para embeber a tisana de suficiente for hau (regulação). Desde a compra de ingredientes para o chá de ervas ao fabrico e venda de dos mesmos, o Sr. Ng encarrega-se de tudo sozinho. Hoje em dia, os preços dos ingredientes herbários estão a subir assim como os custos do negócio dos chás de ervas. O seu preço subiu desde os anos 70, de 8 avos por chávena para 20 avos, para 50 avos, para 7 patacas cifrando-se actualmente em 20 patacas. Estes aumentos consideráveis têm obviamente colocado pressão sobre o negócio. Felizmente, as novas ervanárias não tiveram impacto na Ervanária Tai Sing Kung, embora a sinceridade do Sr. Ng tenha tido impacto na comunidade e na cultura locais. Ervanária Fok Wa Kei
A Ervanária Fok Wa Kei encontra-se em operação há mais de 50 anos, ou seja duas gerações, e é actualmente gerida pelo Sr. Fok Kiang Chong. Esta ervanária é, mais precisamente um banca móvel de venda de chás de ervas. Desde o seu estabelecimento, a loja nunca teve um local de venda estacionário. No início do seu funcionamento, o fundador, o Sr. Fok Wa meramente transportava os chás de ervas e os vendia em diferentes zonas de Macau. Mais tarde, usava um carrinho e deslocava-se para sítios como o Teatro Qing Ping, vários estabelecimentos de mahjong e o canídromo para vender os seus produtos. Actualmente, o Sr. Fok Kiang Chong tem um horário fixo e um itinerário estabelecido para a sua banca móvel, deslocando-se do San Kio para a Rua de Entrecampos às 16:00 horas; entre as 17:00 e as 19:00 horas, a banca pode ser encontrada na Rua da Erva. Depois desta hora, passa pelo Cinema Alegria e às 20:30 horas muda-se para a Avenida do Almirante Lacerda, onde se encontra em funcionamento até ao amanhecer. As tisanas Fok Wa Kei são sempre preparadas no próprio dia e fervidas usando um fogão de querosene de fácil operação. Para fazer as tisanas, as ervas devem ser colocadas no bule antes de se adicionar água. Quanto esta se encontrar a ferver, a chama deve ser reduzida a fim de permitir ao chá ferver durante bastante tempo. Quanto mais tempo ferver, mais intenso será o seu sabor. Existem cinco fogões para o fabrico de tisanas, quatro dos quais são usados para ferver quatro tipos diferentes de tisanas (“24 sabores”, “Chá de 5 flores”, “Chá para a constipação e gripe” e “Chá de eficácia especial”) e o últimos dos quais para ferver água. A água é essencial visto que durante a fervura o chá pode secar se não tiver água suficiente. É assim adicionada água quente quando necessário. NO passado, ingredientes de tisanas como Sam A Fu (Evoida Lepta) e a Raiz de Anileira podiam encontrar-se em Hac Sa, em Coloane. Contudo, a banca compra hoje em dia os ingredientes das tisanas numa drogaria chinesa situada na Rua do Tarrafeiro. As tisanas são, na verdade, medicamentos chineses de baixo preço. No passado, o preço de uma chávena de chá de ervas aumentou de 5 para 10 avos e, cerca de 1960, cada chávena custava 3.5 patacas. O preço não aumentou dramaticamente até 1997, quando o preço do petróleo subiu drasticamente tendo o respectivo preço aumentado em cerca de 4 patacas por chávena. Desde a abertura do porto de Macau, as tisanas têm acompanhado várias gerações de habitantes locais. Hoje em dia, já não existem muitas bancas de venda de tisanas como a Ervanária Fok Wa Kei e é ainda mais difícil encontrar uma ervanária onde se possa conversar sobre vários assuntos com amigos e conhecidos. Enquanto insistimos na protecção da nossa herança cultural, devíamos simultaneamente preservar as ervanárias tradicionais e o hábito de beber tisanas, visto que se tratam de elementos insubstituíveis no tecido cultural de Macau. |
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