| As Nove Alegrias Originadas pela Coleccionação de Mapas Tam Siu Cheong Curador do Marco Polos Cartocell de Hong Kong |
Tenho-me dedicado à coleccionação de mapas há mais de dez anos, tentando descobrir as leis da modernização da China, do seu desenvolvimento cultural e social, da sua prosperidade e decadência, da evolução do seu território, da sua unificação e divisão, do papel da localização geográfica nos conflitos militares e sucessão das dinastias, da introdução de ciências e civilizações na China e a inserção deste país no mundo, dos intercâmbios e conflitos culturais entre o Oriente e o Ocidente, das transformações urbanas e da prosperidade e abandono das cidades e zonas rurais, do relacionamento entre os recursos regionais e o desenvolvimento económico, do desenvolvimento dos transportes propiciado pelas condições das vias fluviais e terrestres, e das mudanças da fisionomia do mundo. Resumindo, através do estudo dos mapas de todas as dinastias anteriores pode-se dominar as leis e as ciências concernentes. Não obstante os sofrimentos, a coleccionação de mapas é um gosto erudito que oferece imensas alegrias. Primeira, a alegria da apreciação. A apreciação é tanto o início como o impulso da coleccionação. Depois das refeições e chás ou nos momentos aborrecidos, desde que se aprecie a colectânea, consegue-se esquecer os aborrecimentos e deixar de pensar nos méritos, fama e benefícios materiais. Por isso, a coleccionação faz-me modelar o temperamento, prolongar a vida e fascina-me. Como posso não estar alegre? Segunda, a alegria da procura. Para a aquisição de mapas, temos de fazer viagens difíceis a pé ou sobre rodas a fim de efectuar numerosas visitas, experimentado ao mesmo tempo amargura e doçura. Há um ditado que diz, «acontece que os sapatos de ferro se tornam rotos em infrutífera procura do objecto perdido, mas posteriormente se consegue achá-lo, não se sente o mínimo esforço». Ou seja, a pessoa que sofre muito ao procurar uma coisa acaba sempre por adquiri-la numa ocasião oportuna e logo que a obtem, fica louco de alegria. E que alegria! Terceira, a alegria do conhecimento. Para a coleccionação de mapas, é preciso ler. Os mapas são as relíquias culturais mais ricas em informações, que abrangem conhecimentos científicos, políticos, culturais, históricos e artísticos, abrindo ao coleccionador um mundo sem fim. O coleccionador tem que ler, fazer investigação histórica ou apreender com os outros para autenticar as origens. Por conseguinte, enriquece os seus conhecimentos e experiências. Que beleza! Que alegria! Quarta, a alegria da organização. Para a coleccionação, é preciso ter o rumo claro e o objectivo distinto. Assim consegue-se concentrar os esforços e delimitar o âmbito dos trabalhadores desenvolvendo-os segundo a ordem, o programa e as etapas mais correctas, libertando-os dos obstáculos, eliminando as ervas daninhas para conservar as flores e alargando, passo a passo, a colecção em termos tanto quantitativos como qualitativos. Concretiza-se, assim, progressivamente, o plano com novos descobrimentos durante este processo. A alegria é ilimitada. Quinta, a alegria da investigação. A coleccionação, ordenação e investigação de peças no vasto oceano de mapas são actividades exploradoras cheias de mistério que proporcionam conhecimentos e prazeres. Há pessoas que até se tornam peritos e autores de obras que chamam a atenção. A colectânea transforma-se numa causa pessoal. É a alegria que nasce no coração! Sexta, a alegria de travar amizades. Apesar de a coleccionação ser um gosto pessoal, pode ser considerada uma actividade que fomenta o convívio social. Encontram-se amigos por intermédio da coleccionação. Assim, podem completar mutuamenteas suas colecções, trocar experiências por carta e estudar em conjunto. Com amigos espalhados por todos os lados não nos cansamos de reunir e conviver. A alegria que sentimos não é explicada por palavras. Sétima, a alegria de defender o território. O enfraquecimento do país e a confusão das fronteiras constituem origem permanente de conflitos. Se a pátria for invadida, todo o povo tem a responsibilidade de a defender. Os mapas são legados da história, uma prova irrefutável como uma montanha. Ao serem mostrados ao público, pode-se avaliar a arrogância dos invasores, mas devemos compartilhar um intenso repúdio pelo inimigo comum e a alegria da nossa união em combatê-lo. Oitava, a alegria de concentrar a fortuna. Na China antiga, os mapas simbolizaram a soberania. Os rendidos, acima de tudo, tinham de entregar os mapas e o selo imperial de jade. Por isso, os mapas antigos eram guardados nos palácios e considerados segredo nacional. Poucos chegaram aos nossos dias. Quando algo é escasso, é precioso. A colecionação de mapas é um investimento estratégico, tendo em conta a sua previsível valorização no futuro. É evidente que a concentração desta riqueza deve ser legítima e objecto de uma boa gestão. É uma grande alegria! Nona, a alegria da coleccionação. Os mapas são um media da história e cultura. Os mapas astronómicos; registam os fenómenos astronómicos, mapas políticos registam os vestígios antigos e actuais de uma boa ou turbulenta governação. Mapas geográficos registam as transformações da terra, mapas culturais registam a prática de crenças. É por meio do estudo dos mapas que se consegue saber o essencial da astronomia, geografia e história. O passado passa a servir o presente. Que alegria! |
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