| PREFÁCIO Ma Kam Keong Chefe dos Serviços Recreativos e Culturais da Câmara Municipal de Macau Provisória Fevereiro de 2001 |
Sendo produtos da civilização humana, as cartas ou mapas geográficos registam a evolução dum território. As cartas antigas constituem testemunhos das mudanças radicais trazidas pelo tempo. A produção cartográfica favorece o desenvolvimento do comércio, já que para um comerciante, em viagens constantes, um mapa ao dispôr dissipa todas as preocupações. Graças à produção de cartas das rotas marítimas, a navegação marítima conheceu na sua história o desenvolvimento a um ritmo fabuloso, atingindo o auge com a chegada dos europeus ao extremo oriente. A Câmara Municipal de Macau Provisória tem a honra de promover esta exposição de mapas antigos, desejando que sejam retiradas lições salutares de história. Entre o total de 56 mapas antigos patentes, alguns contam com referências à geografia e às ruas de Macau nos tempos passados. É de referir um Guia Turístico em inglês mostrado na exposição e publicado em Hong Kong em 1895. O Guia fornece informações sobre Macau naquela altura, inclusivamente a história do território e um mapa dos seus arruamentos. Segundo esse manual, havia carreiras de vapores de passageiros entre Hong Kong, Macau e Guangzhou (Cantão). O barco partia diariamente às 2:00 horas da tarde, de Hong Kong para Macau, enquanto de Macau para Hong Kong era às 8:00 da manhã, sendo de 3 dólares a tarifa de cada viagem e mais 1.5 dólar para a refeição (vinho incluído). A Companhia de Vapores entre Hong Kong, Macau e Guangzhou tinha na altura seis vapores em operações de transporte entre os três lugares. O Guia Turístico recorda que circulava, na altura, a mesma moeda nas três cidades acima referidas. Quanto aos hotéis de Macau, menciona o Hotel Boa Vista que cobrava quatro dólares por noite e o Hing Kees Hotel sem, no entanto, falar do seu preço. Conforme a tabela de tarifas da liteira e do riquexó, cobravam-se cinco centavos por pequena distância, quinze centavos por hora, oitenta centavos por dia ou por sete horas. Havia sampanas para alugar, sendo de quinze centavos por hora para as normais e de vinte para as maiores. O barco de recreio cobrava trinta centavos por hora. Vários templos e igrejas são apontados pelo Guia Turístico como pontos de interesse turístico. É interessante saber que o mesmo livrinho propõe uma visita, depois do jantar, às casas de fantan situadas na Rua dos Jogos (ver o mapa), explicando as regras deste jogo de fortuna e azar. E avança com a descrição da resplandecência da coloração espectacular dessa rua animada depois do pôr do sol. Sugere por outro lado visitas às fábrica de chá, de seda, de ópio (e ao lugar do seu consumo) e de tabaco. Adianta que esta última, com produção inteiramente manual, era a maior das congéneres do sul da China. A partir das referências às indústrias de Macau, percebe-se bem o desenvolvimento bastante avançado de Macau na altura, quer no jogo, quer na indústria. Ao relembrar-mo-nos do objectivo da exposição, isto é, tirar lições da história, espera-se que Macau alcance novos êxitos no novo ano e novo século e restaure a era áurea do desenvolvimento económico à qual já uma vez se assistiu. São devidos sinceros agradecimentos ao Sr. Tam Siu Cheong, por ter dispensado as peças preciosas da sua colecção para este evento. Apesar da sua agenda carregadíssima, compôs as legendas dos mapas mostrados, permitindo aos espectadores o conhecimento em pano de fundo da história de todas as peças e por conseguinte partilhar a alegria do coleccionador devido à sua colecção. Sinceros agradecimentos são igualmente estendidos ao Sr Chan Vai Hang, cujo texto introdutório orienta os nossos estudos da história moderna de Macau e da China através das cartas geográficas.. |
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